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“When attitudes (trans) form – Quando atitudes (trans) formam”

12/08 (qua) a 12/10 (seg)
exposição palavra

Convidada a realizar uma mostra individual, em comemoração aos 80 anos do Minas Tênis Clube,  a artista plástica contemporânea Shirley Paes Leme apresenta a mostra ­When attitudes (trans) form. O título parafraseia a famosa exposição de arte conceitual, curada por  Harald Szeemann, When Attitudes Become Form, que, em  1969,  introduziu uma nova forma desmaterializada de trabalho de arte, onde o ato ou o processo de criação era tomado como a própria obra de arte.

Sobre as instalações

A primeira sala da galeria apresenta a instalação intitulada “Campo Líquido”. O curador Cauê Alves afirmou que o expectador passa a perceber o mundo de modo invertido. “Diferentemente da mostra histórica de Szeemann, Shirley Paes Leme cobrirá o piso da galeria com placas de alumínio reflexivo, o que multiplica o espaço. É como se o teto afundasse, criando um abismo que se abre sob os pés do visitante. Trata-se de uma estratégia para trazer o visitante ao interior da obra e proporcionar uma experiência que modifica o sujeito.

Luz, palavra, acúmulo, resíduo e repetição são elementos recorrentes nas instalações da artista, desde os anos 1980. Vários destes elementos estão presentes nesta instalação.

Segundo a artista, “cada pessoa, cada sujeito, cada participador, que passar por esse lugar será atraído por essa superfície espelhada, e haverá uma reação que transformará seu dia e, porque não dizer, sua visão de si mesmo e do lugar, pois ele, em conjunto com a obra, criará esse lugar onde haverá uma vivência, um contato vivo e ativo de prazer e experimentação.” Ainda nesta sala, a artista transforma as janelas em livros abertos, reproduzindo capas de livros de poetas brasileiros, e também utiliza no teto o poema Resíduo, do mineiro Carlos Drummond de Andrade. O trabalho se apropria de elementos da arquitetura do prédio, ressignificando suas características.

Na segunda sala da galeria, Shirley Paes Leme realiza a instalação Classe. Segundo a artista, “o conceito de Classe será explorado através de um conjunto de documentos dividido em grupos, em categorias, e ordenado segundo características semelhantes. Classe é um conjunto de coisas classificadas em um mesmo espaço. Proponho transformar o espaço em lugar de troca, de lembrança e de imaginação. Para tanto, pretendo criar uma performance que ativará o espaço todos os dias. O conceito da performance estará relacionado com a transmissão de conhecimento e experiência. Realizarei toda semana um encontro com os visitantes da exposição. Durante esse período,  haverá um diálogo com os artistas locais e artistas convidados, para desenvolverem conversas com os visitantes, o que se traduzirá em uma espécie de aula”.

Ainda segundo Cauê Alves, “a artista convida os visitantes a participar do projeto, que é composto por materiais didáticos que ela guarda, desde que começou a lecionar, em 1968. Trabalhos de conclusão de cursos, dissertações de mestrado, teses de doutorado, livros, disquetes de computador e slides são a matéria-prima para alguns dos trabalhos da artista. Resíduos da atividade de docência são reconfigurados e ressignificados. O espaço conta ainda com lousa, anotações e referências da artista. Como o processo de conhecimento nunca termina, uma pesquisa sempre gera outra, uma obra de arte sempre abre possibilidades para outras, todo o espaço e tempo da mostra acabam tratando do infinito”.

Sobre a artista

Entre 1975 e 1978, Shirley Paes Leme frequentou o curso de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Recebeu bolsa de estudos da Fulbright Foundation, em 1983, e iniciou mestrado na Universidade do Arizona, em Tucson, nos Estados Unidos. Posteriormente, transferiu-se para Berkeley, onde cursou doutorado na John F. Kennedy University, concluído em 1986. Frequentou ainda a San Francisco Art Institute, a Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e a Universidade da Califórnia, em Berkeley. Foi professora titular de Artes Plásticas na Universidade Federal de Uberlândia, por 25 anos, e na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, por 15 anos.

Realizou inúmeras exposições no Brasil e no exterior, como Bienal de Lausanne, em 1993; VII Bienal da Polônia, em 1995; “Deux Artistes Brésiliens: Amílcar de Castro et Shirley Paes Leme”, em Paris, em 1996; “Die Anderen Modernen”, na Casa das Culturas do Mundo, em Berlim, em 1997; e “Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX e Diversidade da Escultura Brasileira”, no Itaú Cultural, em 1997. Em 2000, participou das seguintes mostras: II Bienal do Mercosul, em Porto Alegre; VII Bienal de La Habana, em Cuba; “Mostra do Redescobrimento -Brasil +500”, em São Paulo, e “Século XX: Arte do Brasil”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Em 2001: Bienal de São Paulo – 50 anos, em São Paulo; e  “Côte à Côte – Art Contemporain du Brésil ”, Musée d’Art Contemporain de Bourdeaux, na França. Dentre suas mais recentes exposições individuais estão Horas, Galeria do IAV (Goiânia, 2010); “Heterotopias Cotidianas”, Dragão do Mar Arte e Cultura (Fortaleza, 2009); “Ambulantes: Estructura-Acción”, Intervenção Urbana, Cidade do México, (México, 2008); “Endless End (Fim sem Fim)”, Sesc, (São Paulo, 2008) e “Desenho: Atitude”, Nara Roesler Galeria de Arte, (São Paulo, 2007); “Água Viva”, Museu Vale, (Vitoria, 2012); “Incerto limite”, Galeria Bolsa de Arte, ( Porto Alegre, 2012).  “Silencioso e incerto”, Matias Brotas Arte Contemporânea, ( Vitória, 2013). “Microhistórias Diárias”, Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre, (São Paulo, 2014).

Sobre o curador

Cauê Alves (São Paulo, Brasil, 1977) é mestre e doutor em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É professor da graduação e pós-graduação do curso Arte: história, crítica e curadoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e do curso de pós-graduação da Escola da Cidade, Civilização América: Um Olhar Através da Arquitetura. Escreve regularmente sobre arte contemporânea e tem experiência em história da arte, teoria da arte e estética. Foi curador-assistente do Pavilhão do Brasil na 56 Biennale di Venezia (2015). Foi um dos curadores do 32º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2011) e curador-adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011). Desde 2006, é curador do Clube de Gravura do MAM-SP. Foi membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM-SP (2005-2007) e realizou, entre outras curadorias, MAM[na]OCA: arte brasileira do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2006), a mostra Quase líquido, Itaú Cultural (2008), Da Estrutura ao Tempo: Hélio Oiticica, no Instituto de Arte Contemporânea (2009) e Mira Schendel: avesso do avesso (2010), também no IAC.

“When attitudes trans form – Quando atitudes (trans) formam”

Curadoria: Cauê Alves.
Artista: Shirley Paes Leme.
Abertura: 11 de agosto, das 19h30 às 22h.
Período: 12 de agosto a 12 de outubro de 2015.
Horário de funcionamento da Galeria de Arte: de terça a sábado, das 10h às 20h, e domingos e feriados, das 11h às 19h.

SERVIÇO
  • “When attitudes (trans) form – Quando atitudes (trans) formam”
  • Data(s) e horário(s)
    : 12/08 (qua) a 12/10 (seg) 11h00min
  • Local: Galeria de Arte (rua da Bahia, 2.244 - Lourdes)
  • Ingressos: Entrada franca
  • Classificação: Livre
*As datas e horários do evento podem sofrer alterações. Confira na bilheteria antes de comprar o seu ingresso.
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