NOTÍCIAS

09/10/19 | Centro Cultural

Escritor de personagens – Letra em Cena. Como ler… revelou as pessoas criadas por Érico Veríssimo

O escritor gaúcho Érico Veríssimo (1905-1975) foi o focalizado da sessão do programa literário do Centro Cultural Minas Tênis Clube no mês de outubro. Regina Zilberman, professora de literatura da UFRGS, deu uma grande aula sobre o escritor, que morreu de infarto logo depois de sair do cardiologista. A leitura do texto “Um certo capitão Rodrigo”, do terceiro episódio do primeiro volume de “O continente”, parte da trilogia “O tempo e o vento”, foi feita pelo ator do Grupo Galpão Arildo de Barros. A última sessão do “Letra em Cena. Como ler…” será dedicada à obra de Euclides da Cunha (1866 – 1909), sob a análise de Marco Luchesi, sétimo ocupante da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras, premiado poeta, escritor, romancista, ensaísta, tradutor, esperantista e professor titular da faculdade de Letras da UFRJ, no dia 12 de novembro, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (CCMTC), às 19h. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site da Sympla. Classificação: livre.

Regina Zilberman dedicou-se a responder as seguintes questões: O que Érico Veríssimo representa? Qual foi a grande contribuição dele? “Érico criou personagens que ficam na memória da gente. Ana Terra, Capitão Rodrigo, Vasco, são personagens reconhecidos não na rua, mas em cada um de nós. Eles se parecem com a gente”, explicou. A professora disse que o trabalho de Érico Veríssimo era o de desenhar a vida dos personagens. “Pode-se dizer que ele foi o primeiro grande escritor de séries. Vocês que assistem Game of Thrones, em que um personagem que aparece no início da primeira temporada, volta a aparecer em outro momento da série, não é? Ele fez isso. As personagens de Érico Veríssimo surgem em vários livros e de forma convincente e muito bem planejada”, explicou.

Uma importante característica de Érico Veríssimo é a sua escrita política, mas não partidária. ”Ele sempre mostrou as desigualdades, dificuldades e movimentos políticos sem partidarismo. Um bom exemplo é o livro ‘Incidente em Antares’, de 1971, neste livro ele denuncia a arbitrariedade da polícia em plena ditadura militar”, lembrou.

Segundo a palestrante, Érico Veríssimo colocou em seus personagens uma pouco de suas questões familiares. “O pai dele foi um farmacêutico gastador. Por isso, seus pais se separaram cedo. Dizem que o Capitão Rodrigo é um pouco de seu pai. Um homem forte e decidido, mas que não é uma boa figura de pai”, analisou. Regina contou que certa vez “Érico disse que a conversa que ele não teve com seu pai, colocou entre alguns de seus personagens”.

O grande feito de Érico Veríssimo é a saga “O Tempo e o vento”. “As pessoas costumam falar sobre o romance ‘Em busca do tempo perdido’ de Marcel Proust (1871 – 1922), que contem sete volumes. Mas, a saga de Érico tem o mesmo tamanho e conta uma história que tem a duração de 200 anos. Isso é um feito na literatura, digna de orgulho para o brasileiro”, afirma.

Siga as redes sociais oficiais da Cultura do Minas:
Facebook: 
/mtccultura
Instagram: @mtccultura

Serviço
Letra em cena. Como ler Euclides da Cunha

Data: 12 de novembro.
Horário: 19h.
Local: Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia 2.244 – Lourdes).
Classificação: livre.
Inscrições: www.sympla.com.br , gratuitas.

Outras Notícias

desenvolvido por