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13/04/19 | Centro Cultural

A tristeza da inveja

Disse Caio Fernando Abreu (1948 – 1996) que “num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra”. Essa frase define de forma clara a amizade de Raul e Saul no conto Aqueles Dois, de Abreu, transformado em peça premiada da companhia de teatro mineira Luna Lunera. O espetáculo deixa claro que uma amizade pura e verdadeira gera inveja, e os invejosos, incompetentes, se juntam para derrubar o objeto admirado. Mas nunca serão felizes.

Raul e Saul começam a trabalhar numa repartição e aos poucos vão percebendo afinidades. Gostos, comportamentos e história de vida. A harmonia da alma de ambos incomoda aos colegas da repartição que não entendem a sinceridade e cumplicidade existente entre aqueles dois. Além de tudo, Raul e Saul são competentes, ambos possuem formação acadêmica e passaram num bom concurso, inteligentes e bonitos, eles são altos, esguios e “não tem aquela barriga, sabe?”. São homens desejados pelas mulheres da repartição e admirados pelos colegas de trabalho. E isso gera a inveja de todos e a afinidade entre eles é tão sincera que passa a incomodar demais.

Os olhares invejosos e maldosos armam sem nenhum pudor e escrúpulo e vão até as últimas consequências para minar uma relação da qual tem certeza que nunca provarão. É necessário ter uma alma especial para se ter uma amizade forte e sincera. Aqueles dois possuem essa alma e conseguem provar, sentir e fazer existir a felicidade de uma relação verdadeira.

O espetáculo foi vencedor do 13º Prêmio Sesc-Sated/MG, nas categorias melhor espetáculo e melhor direção; do 5º Prêmio Usiminas-Sinparc, nas categorias melhor espetáculo, melhor direção e melhor ator (Rômulo Braga).

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