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29/08/17 | Centro Cultural

Agora, Drummond

drummond

A sétima edição do projeto Letra em Cena. Como ler… será dedicada à poesia de Carlos Drummond de Andrade. O professor de literatura da Universidade Federal de São Paulo, USP, Murilo Marcondes, será o palestrante e também fará as leituras dos poemas do itabirano. O evento será no dia 5 de setembro, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Inscrições gratuitas no site da Sympla.

Murilo Marcondes vai discutir com o público 30 anos da trajetória de Drummond. “Vou falar sobre os textos do poeta de 1920 ao início dos anos 1950, quando ele publica ‘Claro Enigma’, normalmente considerado pela crítica o livro em que ele consolidou como poeta maior. Minha fala será inteiramente pontuada pela leitura de poemas, que procurarei comentar, ainda que de modo sintético”, explica. O professor também falará sobre as características da escrita de Drummond. “Acho que associar de maneira muito radical intensidade afetiva e ironia mordente é marcante na poesia de Drummond. Coisas muito contraditórias, pois se o afeto aproxima, a ironia distancia. O lugar do poeta e, naturalmente, sua poesia, é então difícil, exigente, pleno de tensões”, observa.

Estudiosos de poesia e literatura consideram Carlos Drummond de Andrade como um dos poetas mais influentes do século. “É sempre difícil precisar porque um poeta é o melhor ou o mais influente. Por que os outros dois poetas brasileiros do século XX mais elogiados, depois de Drummond, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, não ocupam essa posição principal? Posso arriscar uma resposta, valendo-me do título de um dos livros de Drummond – ‘Sentimento do mundo’. Creio que esse sentimento do mundo diferencia Drummond daqueles outros dois poetas, por exemplo. Sobretudo porque a essa embocadura internacional, o poeta soube aliar um trabalho com a forma tanto inovador quanto refinado”, analisa.

Poemas de Drummond como “A Máquina do Mundo” e “José” são aclamados e amados por tantos. O primeiro é considerado por especialista como uma das mais importantes poesias do país. “’A Máquina do Mundo’ é um poema de maior fôlego (96 versos), escrito em terças-rimas (as mesmas com que Dante escreveu sua ‘Divina Comédia’), dialoga também, com ‘Os Lusíadas’, de Camões, particularmente com uma passagem do Canto IX, em que Tétis dá a ver ao herói Vasco da Gama a “máquina do mundo”, como prêmio pelo seu feito. O poema se constrói, portanto, num diálogo com a tradição mais robusta, e sustenta esse diálogo à altura dessa mesma tradição”, diz. É importante observar que a linguagem deste poema, “A Máquina do Mundo”, é muito depurada e elevada. “Além do mais, não nos esqueçamos de que o poema sofisticado se inicia por ‘uma estrada de Minas pedregosa’, associando vertiginosamente o regional ao universal, lembrando o ‘sentimento do mundo’. Ainda, o poema tem uma forte tonalidade filosófica, rara em nossa tradição lírica”, afirma.

Já sobre “José”, o poeta afirma que o poema encanta as pessoas porque “sua própria construção rítmica e o vocabulário despojado são muito convidativos à performance. Acho que mais do que retratar o brasileiro, o poema busca retratar o “homem comum” moderno, e talvez mais do que esse homem comum, a persona do próprio poeta”, constata.

Letra em cena. Como ler…Carlos Drummond de Andrade com Murilo Marcondes

Data: 5 de setembro, terça-feira
Horário: às 19h
Classificação: livre
Incrições clique aqui

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