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11/08/17 | Centro Cultural

Clarice é terrível

Clarice Nádia

“Dizem que Clarice é hermética. Duvido que alguém não tenha entendido o texto”, disse Nádia Battella Gotlib, palestrante da sexta edição do projeto Letra em Cena. Como ler… que contemplou, na noite de quarta-feira, dia 9 de agosto, a escritora Clarice Lispector (1920 – 1977). A leitura de dois textos de Clarice foi feita pela atriz Christiane Antuña.

O Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube estava cheio de pessoas que são muito fãs de Clarice. E, logo no início da palestra, Nádia, que é doutora em literatura portuguesa e brasileira, disse que tentaria esclarecer Clarice. “Trago aqui para vocês uma tentativa de entender a linguagem que ela propõe”, explicou.  Clarice foi uma escritora que criou um novo jeito de escrever. “Ela desmontava a questão de gênero literário porque o desejo dela era ter liberdade. Clarice era avessa a sistemas, ela não se encaixava nas regras da escrita existentes. Os gêneros mudaram de nome nos livros de Clarice. O romance passou a chamar pulsações, a novela, ficções, e por aí vai…”, explicou.

Ao ouvir Christiane Antuña lendo o texto “As três experiências”, Nádia instigou no público a observação das questões propostas nos textos de Clarice sobre ela mesma. “Os textos autobiográficos começam sempre trazendo os fatos e terminam com uma indagação. Ela mergulha no imaginário e chega naquilo que não pode ser respondido. Ela nos coloca para enfrentar o que não queremos ”, constata.  Segundo a palestrante a escritora estava sempre à procura de algo. “Quando você consegue encontrar o que procura é o silêncio”, afirmou Nádia.

De acordo com Nádia, o crítico literário Antônio Cândido (1918 – 2017), foi muito feliz porque foi o primeiro a entender Clarice. “Ele disse que no texto de Clarice o narrador tenta se aproximar do personagem, fazendo do escrito um romance de aproximação. Antônio Cândido percebeu primeiro o potencial de Clarice como escritora”, contou.

A densidade da escritora pode ser percebida no seu texto. “Ela vira sua escrita ao avesso e mergulha o leitor no imaginário. Ela insere em seus escritos pensamentos que levam o apreciados de sua obra a uma autoanálise e vai fundo na intimidade de Clarice e dos seus personagens”, diz Nádia. A literatura feita por Clarice não tem ideologias, ela escreve espontaneamente o que sente e o que pensa. Sendo assim, “o que pode ser difícil na escrita dela é a condição humana”, constata a palestrante.

Mesmo não tendo uma escrita panfletária e ideológica, Clarice redigiu um texto político, “A hora de estrela”, lançado em 1977. “Trata-se de uma nordestina, com nome judeu que quer tentar a vida no Rio de Janeiro e, quando enfim ela decide ser dona de sua vida é atropelada por um carro da Mercedes Benz. Ou seja, Clarice deixa claro que para algumas pessoas não há chances de uma vida plena”, explica Nádia.

Clarice, segundo Nádia, vivia a busca pela vida plena e pela felicidade. Era uma mulher densa que de tanto escrever de forma a tentar mostrar o cerne do ser humano, ao fim da vida disse algo profundo para enfermeira do hospital em que estava quando morreu. “Ela estava muito mal, morreu de câncer no ovário e estava com hemorragia. Queria se levantar e a enfermeira a impediu. Ela olhou para a moça e disse muito brava: você matou meu personagem”, concluiu Nádia afirmando: “Clarice é terrível”.

A próxima edição do projeto literário “Letra em Cena. Como ler…” será com o professor doutor da Universidade de São Paulo, USP, Murilo Marcondes, analisando os poemas de Carlos Drummond de Andrade. No dia 5 de setembro, terça-feira, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. As incrições podems er feitas no site da Sympla ou clicando aqui

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