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31/10/19 | Centro Cultural

DEU SAMBA – Último show do Sarau MTC 2019 foi de festa para Beth Carvalho por Manu Dias

A celebração de Beth Carvalho na voz de Manu Dias, sambista ouro-pretana, encerrou a terceira edição do Sarau Minas Tênis Clube. O Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube (CCMTC), lotado, recebeu a aura verde e rosa, cores da escola de samba do coração de Beth Carvalho, a Estação Primeira de Mangueira, e se transformou no Cacique de Ramos, Marques de Sapucaí e na essência do Carnaval, que é a festa da alegria. Antes do show, o vídeo da sambista carioca radicada em Belo Horizonte Aline Calixto deu o tom do show, de reverência, homenagem, samba, alegria e generosidade. “Beth Carvalho deixou um legado imensurável. Foi uma das pessoas mais destemidas que eu já conheci na vida. Guerreira, batalhadora e de uma generosidade sem tamanho (…) Beth sabia que o samba, para continuar, tinha que reverberar, e ele reverberava nela. Salve, salve a nossa madrinha Beth Carvalho”, disse Aline.

Manu, de forma muito inteligente, colocou o público para cantar logo na primeira canção. Entoando “Andança”, música revelada com grande sucesso por Beth Carvalho, no Festival Internacional da Canção de 1968. Em seguida, Manu apresentou aqueles sambas que Beth imortalizou, compostos por Nelson Cavaquinho, Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão e Arlindo Cruz, e emocionou o público ao cantar “As rosas não falam”, de Cartola. Importante ressaltar a força da interpretação da cantora. Manu Dias, mesmo tão pequena, é dona de uma potente voz, de olhares, caras e gestos que enfatizam a mensagem do samba. Mais que simplesmente cantar de olhos fechados, o público percebe como a canção “bateu” na cantora e passa a ser conduzido pela mesma sensação.

Na conversa com a apresentadora do Sarau MTC 2019, Christiane Antuña, Manu Dias enfatizou a importância de Beth Carvalho e o desejo que tinha de ouvir a madrinha do samba cantando uma composição sua. “Fiz um samba com meu pai, o cantor e compositor Toninho Batista, chamado ‘Sorriso de Deus’. Eu cheguei a ouvir a voz de Beth interpretando essa música. Infelizmente, não deu”, lamentou Manu. A cantora também afirmou a importância da mulher no espaço da música e do samba. “As rodas sempre foram compostas por homens. Mulheres como a Beth abriram o caminho pra gente. A mulher pode e deve estar onde ela quiser. Olha aqui no palco, temos mulheres lindas mandando superbem na percussão e no (violão) sete cordas”, afirmou a sambista.

Celebrando uma outra paixão de Beth Carvalho, o futebol, o show de Manu terminou com “Vou festejar”, de Jorge Aragão, Neoci e Dida. A canção tornou-se o segundo hino do Atlético Mineiro, segundo time do coração de Beth carvalho – o primeiro era o Botafogo –, depois que a sambista cantou antes do jogo da final da Série B do campeonato Brasileiro, em 2006, no Mineirão lotado. Manu emendou com “Coisinha do pai”, de Jorge Aragão, Almir Guineto e Luís Carlos. A canção, sucesso de 1979, foi a música escolhida para “acordar” o primeiro robô da NASA a pisar em Marte, sob a responsabilidade de Jacqueline Lyra, engenheira aeroespacial brasileira.

Como disse Caetano, outro homenageado do Sarau MTC 2019, “o samba é pai do prazer, o samba é filho da dor, o grande poder transformador”. Quem esteve no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube para o último show da terceira edição do Sarau Minas Tênis Clube sentiu a força do ritmo que identifica a nação e seu poder de mudar o humor de seus ouvintes.

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