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13/07/20 | Centro Cultural

DIA DO ROCK, BEBÊ!

Integrantes da OMR contam um pouco da história do estilo que mudou a música mundial

Nesta segunda-feira, 13 de julho, é comemorado o Dia Mundial do Rock, estilo musical que surgiu nos Estados Unidos, nos anos 1940, e se espalhou pelo mundo, rapidamente. E por que 13 de julho foi escolhido como o Dia Mundial do Rock? Nesta data, em 1985, foi realizado,  em palcos montados no estádio Wembley, em Londres, na Inglaterra, e no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia, nos Estados Unidos, o Live AID,  um dos maiores concertos de rock de todos os tempos, transmitido para 100 países, registrando cerca de  dois bilhões de espectadores. Organizado por Bob Geldof, cantor e compositor irlandês, e Midge Ure, guitarrista, cantor e compositor britânico, o evento teve como objetivo arrecadar fundos para ajudar países da África. Com duração de dez horas, o Live AID contou com shows Led Zeppelin, Madonna, Queen, David Bowie, BB King, Mick Jagger, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton, entre outros astros e estrelas do rock mundial.

Orquestra Mineira de Rock - foto de Vitor MacielOrquestra Mineira de Rock – foto de Vitor Maciel

Em Belo Horizonte, o estilo musical eletrizante é celebrado há 20 anos, em palcos do estado e do Brasil, pela Orquestra Mineira de Rock (OMR), formada pela junção de três reconhecidas bandas locais, Cartoon, Cálix e Somba.

Para o líder da banda Somba, Guilherme Castro, o rock pode ser entendido como música e como fenômeno sociocultural. “Como música, o rock se reflete como liberdade de mistura de influências, apesar de ter nascido como um gênero musical norte-americano. São tantas vertentes, subgêneros e amálgamas culturais que isso tudo só reflete a capacidade, permissividade e adaptabilidade desse fenômeno cultural a outros pensamentos musicais. E isso é um reflexo da questão sociocultural, em que o rock se apresenta como um tipo de fenômeno relacionado à juventude”, explica.

O rock tem origem no blues, ritmo criado pelos negros que trabalhavam nas plantações de algodão, nos Estados Unidos, apesar de seu maior astro, o “Rei do Rock”, ser um branco de olhos azuis.  “O blues foi se transformando até chegar ao rock. Acredito que os brancos contribuíram um pouco, e essa mistura entre as culturas foi enriquecendo o estilo. Elvis Presley foi o maior nome do rock no início do estilo, tanto em termos de alcance de público quanto de impacto na sociedade. Várias pessoas já faziam esse tipo de som, mas ele, sendo um cara branco, bem apessoado e carismático, possivelmente teve mais facilidade de expandir sua carreira. Fora que era um cara talentoso e com uma voz única”, afirma Renato Savassi, vocalista da banda Cálix.

“Elvis foi muito importante, pois levou a música e a atitude do rock para as massas e influenciou todo o mundo também, até mesmo os (The) Beatles”, acrescenta Khadhu Capanema, vocalista da banda Cálix.

 

Sexo, drogas, rock and roll e contracultura

Junto ao rock sempre estão os substantivos sexo e drogas. Por quê? “Essa associação vem de uma cultura juvenil de transformação que ocorreu por meio dos movimentos de contracultura nos anos 1960. Foi um período de liberação sexual e de costumes, com muito experimentalismo, regado às drogas lisérgicas, com destaque para o LSD”, afirma Guilherme Castro, vocalista do Somba.

“De fato, ele [o rock] sempre esteve acompanhado por uma atitude libertária, de viver sem apego às regras, e a sexualidade e a alteração da consciência tiveram importante papel nisso. Na época em que o rock surgiu (anos 1960), a visão de mundo e os hábitos da sociedade eram muito conservadores. Então, o rock trouxe muitas quebras de padrões, impressões fortes e teve um grande impacto na época”, observa Renato Savassi, vocalista do Calix.

A contracultura, conceito que rejeita e questiona valores e práticas de uma cultura dominante, teve no rock um aliado. “Ele [o rock] se tornou o veículo pelo qual os jovens diziam o que pensavam e o que queriam do mundo, e sua estética evoluiu criando mundos por meio da música”, explica Khadhu Capanema, vocalista do Cartoon.

Orquestra Mineira de Rock (OMR)

A partir da junção de três bandas autorais do cenário da capital, Cartoon, Cálix e Somba, foi criada a Orquestra Mineira de Rock (OMR), há 20 anos, cujas características são os arranjos ousados e o repertório que vai de Beethoven a Led Zeppelin, músicas próprias, releituras e MPB. “A Orquestra nasceu de um evento em comum das três bandas e foi evoluindo para esse projeto de superbanda, ou melhor, de orquestra de instrumentos de banda, com duas baterias simultâneas, percussão, naipe de quatro guitarras, flauta, sax, instrumentos exóticos, como esraj e sitar etc.”, explica Guilherme.

A OMR já tocou para cerca de 50 mil pessoas em shows ao vivo. “Um show que foi marcante pra mim foi o de retorno da OMR [a banda fez um hiato de dez anos]. E foi o primeiro show com os 13 músicos no palco, tocando juntos quase o tempo todo”, lembra Renato. No Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, a banda fez duas apresentações consecutivas com ingressos esgotados.

Atualmente, a OMR apresenta três shows distintos: “Clássicos”, que abrange arranjos de músicas clássicas, clássicos do rock mundial, músicas próprias e músicas mineiras, com arranjos próprios; “Beatles”, espetáculo somente com arranjos de músicas do quarteto de Liverpool; e “Brasil”: show que faz uma viagem pela música brasileira, incluindo Villa-Lobos, Alceu Valença, Elis Regina até Legião Urbana.

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