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10/05/17 | Centro Cultural

Esperança Severina

Letra em Cena João Cabral (56)

O projeto Letra em Cena. Como ler… que tem como objetivo trazer uma análise fácil e fora dos termos acadêmicos de grandes clássicos da literatura brasileira colocou à baila, na noite de 9 de maio, no café do Centro Cultural Minas Tênis Clube, a obra-prima de João Cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina”. O membro da Academia Brasileira de Letras com doutorado em Literatura na análise de João Cabral, Antônio Carlos Secchin, ministrou uma bela e emocionante palestra, além de apresentar trechos da obra em vídeo. O evento contou com a ação de degustação do iogurte Grego Apreciare. Confira as fotos do evento aqui.

“Morte e Vida Severina” pode ser chamada de poesia social pois se congrega e reúne em torno de pesquisas por condições sociais. “A poesia social é mais social que poesia. O texto de João Cabral tem o compromisso com a poesia”, explicou Secchin. “O escrito de Cabral tem vida, cria a sua versão da verdade e fala sobre a realidade brasileira”, afirmou.  Segundo o acadêmico o livro Morte e Vida Severina ficou dez anos escondido, porque o escritor não morava no Brasil (João era diplomata na Espanha) e era considerado elitista e de difícil leitura. Depois veio a se tornar o maior sucesso editorial da poesia brasileira com mais de 100 edições.

Segundo Secchin João Cabral teve acesso aos dados do índice de expectativa de vida da Índia, onde o homem, naquela época, vivia mais que um cidadão de Pernambuco. Essa informação deu origem ao poema “Cão sem plumas”, já um prenúncio do que viria em seguida. João criou o “Morte e Vida Severina” como um auto de natal á maneira pernambucana que foi recusado por Maria Clara Machado para ser montado teatralmente.

A questão da música também é uma característica da obra. O poema foi transformado em peça pelo Teatro da Universidade Católica de São Paulo, Tuca, em 1965, e marcou a estreia de Chico Buarque na composição de trilhas sonoras para peças. A montagem ganhou o 4º Festival Universitário em Nancy, na França. Mas, para João Cabral a música era “o menos pior dos ruídos. Ele só sabia os hinos do América Futebol Clube de Pernambuco e o Nacional”, contou Secchin. João se emocionava mais com o visual do que com o som. Certa vez em show de Maria Bethânia saiu dizendo que foi linda as trocas de roupa da artista.

Muitos pensam que o poema, segundo Secchin, é triste, porém o acadêmico afirma que é carregado de esperança no que tange a presença da vida salvando Severino do salto para a morte. “O poema mostra a perda da identidade e diz que as injustiças sociais se repetem na morte que é uma continuidade dessa vida severina”, diz. Mas quando nasce o filho do José, mestre Carpina, outro personagem da saga de Severino saindo do sertão em direção a cidade do Recife, a ideia do personagem central de dar cabo à vida termina porque esta renasceu por meio da criança. “O crítico literário parense, Benedito Nunes, diz que o auto de natal acontece dentro do poema de Cabral quando Severino pensa em morrer, porém nasce uma criança. Aí acontece a vida”, diz. Outros traços que identificam o auto de natal é o fato de “João colocar o nome do pai de José, a profissão de carpinteiro e que vem da cidade de Nazaré”, conta Secchin.

O fim do poema é de esperança pois a cigana prevê que o menino “é tão belo como o sim numa sala negativa”.

A próxima sessão do projeto Letra em Cena. Como ler…, no dia 6 de junho, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube, será dedicada à obra de Vinícius de Moraes, analisada pelo poeta fluminense Eucanaã Ferraz, com leitura dramática do ator Odilon Esteves. As inscrições gratuitas já podem ser feitas no site da Sympla.

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