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21/03/19 | Centro Cultural

Eu sou um contador de histórias

Foto: Divulgação/Minas Tênis Clube

O Letra em Cena. Como ler…, programa literário do Minas Tênis Clube, teve na noite de 19 de março sua primeira sessão em 2019. O primeiro tema foi o escritor baiano Jorge Amado, sob o olhar de sua biógrafa, a jornalista e professora da USP Joselia Aguiar. O ator mineiro Luciano Luppi leu um trecho do clássico “Capitães da Areia”.  Ricardo Vieira Santiago, presidente do Clube, fez a abertura do evento ressaltando a inventividade do programa e a excelência da curadoria realizada desde o início do projeto, há quatro anos, pelo jornalista e escritor José Eduardo Gonçalves. Os cerca de 150 espectadores que estiveram no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube, ouviram histórias de Amado com gosto de dendê e a magia do candomblé.

Joselia iniciou o colóquio falando que o primeiro livro de Jorge Amado que leu foi “Mar Morto”. “Eu andava com essa publicação no colégio e a freira me perguntou porque estava lendo esse autor que falava numa linguagem muitas vezes vulgar”, lembrou.  Ela disse que quando foi convidada a fazer a biografia de Jorge Amado pensou que não seria um livro novo, “pois todo mundo conhece Jorge Amado e sabe tudo sobre ele. Mas aí, a medida que ia pesquisando fui vendo que sabemos muito pouco sobre ele e que em cada momento de sua vida, é um Jorge Amado diferente”, contou.

Um fato curioso da carreira de Jorge Amado, o livro “Capitães da Areia”, lançado em 1937, foi para Jorge Amado a promessa de que seria um best-seller. Porém, devido a ditadura do Estado Novo, a publicação que, de acordo com Joselia, abalou a sensibilidade do país, foi retirado de circulação e queimado em praça pública. “Hoje, ‘Capitães da Areia’ é o livro mais lido de Jorge Amado, a profecia se cumpriu”,  diz a professora.

Filho de um casal pobre que formou um patrimônio, segundo Joselia, o escritor teve uma vida intensa e longa, e mesmo senil e cego, pensava em enredos. “Jorge Amado gostava de ‘parir’ gente, como ele mesmo dizia. Ele recriava a sua vida nos livros a partir dos enredos cheios de jagunços, coronéis, disputa de terras, religião e amores”, explica. Jorge passou por regimes políticos totalitários e foi perseguido em determinados momentos viveu fora do país. Sua obra, desde os anos 1940, é traduzida para outros idiomas.

Depois dos anos 1940, o escritor adota uma postura mais leve em seus escritos e passa a ser um dos mais populares autores brasileiros. “Ele dizia que era um escritor de putas e vagabundos. Nos anos 1970, tem vários de seus livros transformados em filmes e peças. Suas obras figuram sempre na lista dos livros mais vendidos”.

 A proxima sessão do Letra em cena. Como ler… será sobre Manuel Bandeira com o professor de literatura da UFMG, Sérgio Alcides, como palestrante. No dia 9 de abril, ás 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Inscrições gratuitas no site da sympla.

Serviço:

Letra em cena. Como ler Manuel Bandeira
Data: 9 de abril, terça-feira
Horário: 19h
Local: Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube
Incrições: gratuitas, no site da sympla

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