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03/07/17 | Centro Cultural

Gaúchos

A edição do projeto Letra em cena. Como ler… do dia 4 de julho traz um pouco da poesia gaúcha, sob o olhar de um gaúcho. A suavidade do texto de Mário Quintana será lido e analisado pelo jornalista, poeta e cronista Fabrício Carpinejar. A palestra terá início às 19h e será realizada no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, no site da Sympla.

Carpinejar teve o privilégio de ver Mário Quintana desde cedo em sua casa. Filho do casal de poetas Maria Carpi e Carlos Nejar, ele via Quintana sempre, mas, como toda criança, não entendia o tamanho do poeta à sua frente. “Via o Quintana na infância, almoçava lá em casa, mas ele era adulto, e adulto atrai a atenção da criança apenas por dez minutos. Eu queria jogar futebol naquela época”, contou. Para Carpinejar, o poeta tem como principal característica ser bem definido. “O autor une as pontas da infância e da velhice. Ele é oito e 80. Tem a molecagem de um guri e a experiência sábia de um velho”, explica.

O texto de Quintana, segundo Carpinejar tem humor ácido e, por isso, agrada e sensibiliza tantos.  “’Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança, tenha ela oito ou 80 anos! Ele ri e fala sério ao mesmo tempo, a ponto de confundir. Trata-se de uma alma de violino escondida em um pandeiro. Quintana se fingia de morto para ser sarcástico. Escreveu como se estivesse morto, com toda a liberdade e excentricidade, e, agora morto, parece cada vez mais vivo”, diz.

Mário Quintana não deixou herdeiros, nunca se casou e nunca teve casa, sempre morou em hotéis no Rio Grande Sul, estado onde nasceu. Para uma amiga, que achava que o quarto onde morava era pequeno, disse uma vez: “Moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas”. Carpinejar explicou que “Quintana não é o poeta da casa, mas do mundo. Da rua. Morava em hotel, e isso influenciou seu olhar. É um eterno turista na intimidade. Talvez seja o autor que mais fez versos para os sapatos. Porque o sapato é o principal símbolo de quem não tem lar”, afirma.

O poeta tentou, algumas vezes, ser um imortal da Academia Brasileira de Letras, mas nunca teve o número necessário de votos. Luís Fernando Veríssimo, escritor e conterrâneo do poeta, falou, certa vez, sobre essa questão. Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia“.

Para ler Quintana, é necessário um olhar atento. O poeta engana e, com falsa docilidade, fala coisas cruéis. Segundo Carpinejar, para ler a poesia dele é preciso ter o pé atrás. “Para ler Quintana, é preciso desconfiar. Parece fofo, mas é ferino. Os diminutivos são para enganar. Solta verdades cruéis a todo momento, escondido na fachada de bom velhinho”, constata.

Está no livro “Esconderijos de Tempo”, com data da primeira publicação de 1980, a poesia de Mário Quintana que Carpinejar mais gosta, “As mãos de meu pai”. “As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis / sobre um fundo de manchas já cor de terra /- como são belas as tuas mãos – / pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram / na nobre cólera dos justos…”.

O projeto Letra em Cena. Como ler… é uma ação do Centro Cultural Minas Tênis Clube com o escritor, jornalista e curador José Eduardo Gonçalves, que tem como objetivo levar grandes clássicos da literatura nacional, de forma fácil e leve, para o grande público. Nos encontros, que, em 2017, serão oito, há uma análise da obra feita por um especialista no autor contemplado e a leitura dos textos por um ator da cena mineira.

Veja a agenda de atrações do Centro Cultural Minas Tênis Clube aqui.

Patrocinadores: Clube da Cultura: Cultura Inglesa BHBradescoOncomedDotz e AtlanticaHotels

Letra em cena. Como ler…Mário Quintana – Palestrante Fabrício Carpinejar

Data: 4 de julho
Horário:  Terça-feira , às 19h
Classificação: livre

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