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08/11/19 | Centro Cultural

Intensidade

O show que encerrou o programa “Uma voz, um instrumento”, do Centro Cultural Minas Tênis Clube (CCMTC) em parceria com o produtor cultural Pedrinho Alves Madeira foi Electra, de Alice Caymmi. Mais que um show, mais que uma performance, mais que uma interpretação, Electra é uma experiência do espectador com a arte. O público, que já viu algum show de Alice, percebe que em Electra, a cantora está mais centrada, concentrada e madura.  No palco, Alice Caymmi conta com o auxílio do piano de João Rebouças e da percussão de Filipe Castro.

Electra é um show que tem um conceito. O cenário é sombrio e soturno, apresenta uma aura de morte e dor que não chega a incomodar, mas leva o expectador a curiosidade. Nem se percebe quando Alice entra no palco, de repente o piano começa a tocar e a voz grave, assinatura de família, inicia um lamento. Ela já estava lá, como se estivesse largada, mergulhada em dor. No rosto uma máscara que parece sufocar a alma, mas não segura a força de seu timbre.

O espetáculo é dividido em três atos, nomeados como “Tragédia”, “Revolução” e “Futuro”. No início, uma mulher entregue a dor está no palco, de repente surge uma outra personalidade que mostra certa força e desejo de mudança, até que nos últimos momentos, Alice esboça o sorriso e para não esquecer que o samba é ritmo de poder transformador, é o gênero que se mantém no fim do show.  Encerrando a apresentação, que não tem bis, Alice canta à capela o clássico composto por seu pai, em parceria com Paulinho Tapajós e Edmundo Souto, em 1969, “Andança”. A cantora saí do palco e leva o público para fora do teatro dizendo a plenos pulmões: “me leva amor. Por onde for, quero ser seu par”. Percebe-se que o amor ali não é uma pessoa, mas o sentimento.

Alice trabalhou neste show com grandes nomes do cenário artístico nacional. Paulo Borges é  diretor do espetáculo,  José Pedro é diretor musical do disco e do show, e Alexandre Herchcovitch assina o figurino. Tudo muito bem casado. Em Electra, Alice mostra que mais do que ter “pedigree”, é preciso ter ousadia e coragem para sair do que se espera de uma reconhecida linhagem e cria nova identidade para os Caymmi.

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