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06/09/18 | Centro Cultural

Mulato Barreto

A edição de setembro do programa literário do Centro Cultural Minas Tênis Clube teve o escritor Lima Barreto como tema. A professora de literatura da UFRJ, Beatriz Resende, contou a história do autor que ao longo de seus 41 anos foi internado em hospícios, com o diagnóstico de alcoolismo, por duas vezes. O texto de Lima foi lido pelo poeta Renato Negrão que utilizou como BG canções de Ismael Silva e áudio de um documentário sobre a Central do Brasil.

Lima Barreto sempre criticou a república e a questão da discriminação racial. “Ele se entendia como mulato e compreendia os problemas que sua pele trazia”, afirma a professora. Na ocasião em que foi tirar uma foto, o escritor correu para ao menos conseguir alugar um terno e disse: “Poderia ter cortado o cabelo e pedido outra pigmentação da pele”.

O escritor fazia críticas ferrenhas e contundentes, mas, nunca agressivas, ao Senado, Câmara Federal e Estadual. “Lima era atento às questões políticas e foi um dos primeiros a falar sobre racismo no país”, explica Beatriz. Lima também foi o primeiro escritor a colocar o subúrbio do Rio nos livros. “Ele falava sobre os lugares de morava e visitava como o Méier e Quintino”, diz a professora.

A primeira internação foi em 1914, no hospício que ficava no bairro da Urca e hoje é sede da faculdade de Comunicação da UFRJ. Depois de ter alta, foi aposentado de seu serviço público. “Para ele isso foi um alívio, a partir daí suas críticas ficaram ainda mais firmes”, observa Beatriz.

A obra “Diário do Hospício” foi escrita durante a sua segunda internação. Segundo Beatriz, este livro é bem intenso. “Ele chegou muito mal no hospital, mas quando o efeito da bebida passou, ele começou a observar as pessoas e os tratamentos. É um livro muito forte”. Esta última internação se deu entre 25 de dezembro de 1919 e 2 de fevereiro de 1920. “Quando o diretor do hospício, Juliano Moura, lhe deu alta, Lima disse: deixa passar o carnaval. Ele sabia que não iria conseguir negar a bebida”, conta.

A próxima sessão do Letra em Cena. Como ler… será dedicado à poesia de Manoel de Barros sob o olhar da professora Lúcia Castello Branco da UFMG. A leitura dos poemas será feita pelo ator da Cia. Luna Lunera Odilon Esteves. No dia 2 de outubro, ás 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. As inscrições já podem ser feitas no site da Sympla.

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