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13/04/17 | Centro Cultural

O escritor de Capitu

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Machado de Assis, o grande escritor brasileiro, foi o tema da segunda sessão do projeto “Letra em Cena. Como ler…” que trouxe para o Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube o ensaísta, poeta, professor, contista e romancista mineiro, Silviano Santiago e, ao seu lado, o ator Rodolfo Vaz fazendo a leitura da obra de Assis. Confira as fotos aqui.

Inicialmente foi lido, por Rodolfo Vaz, trecho da obra – prima de Machado de Assis, Dom Casmurro. O enigma de Capitu, sempre intenso na cabeça de todo amante da literatura nacional, foi abordado de forma analítica por Santiago. “Machado colocou de forma muito inteligente a questão da traição, ou não, de Capitu. Diferentemente de romances como ‘Madame Bovary’, de Gustave Flaubert, ou ‘O Primo Basílio’, de Eça de Queiros, (que Machado fez severas críticas) Dom Casmurro tem como narrador o traído, dando uma dimensão mais pessoal ao drama”, explicou. Outra questão abordada por Santiago é a do patriarcalismo. “O tema clássico do patriarcalismo está presente em toda obra. Capitu não tem voz”, afirma. Uma outra visão de Capitu, mas está vem da análise de biógrafos, é que a personagem seria, até certo momento, Carolina, a esposa de Machado de Assis. “Sabe-se que ela veio da cidade do Porto depois de uma frustração amorosa e que era mais velha que Machado”, contou Santiago.

O palestrante ressaltou pontos interessantes da escrita de Machado, bem como as ausências causadas pela epilepsia. Segundo Santiago, em pesquisa para seu livro “Machado”, lançado em novembro de 2016, o médico Miguel Couto soube do próprio escritor sobre suas crises e o doutor pediu que Machado narrasse suas ausências. Percebe-se esses hiatos nas narrativas de livros do escritor, quando muda de assunto e o retoma vários capítulos depois.

Outra característica de Machado de Assis é sua não militância em nada. “Há uma descrença de Machado em relação aos grandes acontecimentos políticos. Por exemplo a Lei Áurea, ele sabia que não funcionaria, que era um engodo”, explicou. “Não entra na escrita de Machado de Assis questões panfletárias de cor, raça ou política. Ele não reproduz o real e prefere guardar o distanciamento crítico”, concluiu Santiago.

A próxima sessão do projeto “Letra em Cena. Como ler…”, no dia 9 de maio, terça-feira, às 19h, será dedicado aos 60 anos de “Morte e vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, com o palestrante Antônio Carlos Secchin. As inscrições podem ser feitas no site da Sympla gratuitamente.

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