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06/06/17 | Centro Cultural

Poetinha

Vinícius

O projeto Letra em Cena. Como ler…, do Centro Cultural Minas Tênis Clube e curadoria do jornalista e escritor José Eduardo Gonçalves, apresenta Eucannã Ferraz analisando o poetinha Vinícius de Moraes (1913-1980). A sessão será realizada no dia 6 de junho, às 19h, no Café Cultural do espaço. As inscrições podem ser feitas gratuitamente, no site da Sympla.

Vinícius, como já é lugar comum, se apresentava como “o branco mais preto do Brasil”. A partir dessa afirmação, já é possível notar forte característica de sua poesia. Vinícius, como poucos, conseguiu unir o erudito e o popular, o clássico e o moderno, o tradicional e o inovador. Talvez até por este motivo, tornou-se um poeta tão popular.

Advogado, diplomata, compositor, poeta, dramaturgo e cantor. Vinícius tinha um interesse grande por tudo que o dizia respeito ao humano e às suas manifestações artísticas. Estudou cinema, tornou-se amigo de Orson Welles, quando foi diplomata do Brasil em Los Angeles. Foi o primeiro artista a entrar, com profundidade, nas canções com temas de matrizes africanas, por meio de seu encontro com Baden Powell, no disco de 1966, Afro Sambas. Importante lembrar que foi Vinícius quem primeiro escreveu as canções da Bossa Nova, juntamente com João Gilberto e Tom Jobim.

Foi Vinícius também quem mostrou, de forma mais enfática, a mistura de raças e classes que compõem o Brasil. Ao trazer a tragédia de Orfeu e Eurídice, na peça “Orfeu da Conceição”, para o morro carioca, com atores negros como protagonistas, pisou, pela primeira vez, no palco do Teatro Municipal, em 1956, com cenário de Oscar Niemeyer, canções dele, Vinícius, em parceria com Tom Jobim. Vinícius também se apresentava, nas famosas boates de Copacabana, o musical “Pobre Menina Rica”, com Nara Leão e Carlos Lyra, e mostrava que o amor não tem cor, não tem dinheiro e não tem classe social.

A poesia de Vinícius, inicialmente, tinha em seu cerne um hermetismo e uma sombra trazidos de sua educação católica e rígida, do Colégio Santo Inácio, dos padres jesuítas. O Poetinha também foi batizado na maçonaria, a pedido de seu avô. Quando entrou para faculdade, começou a ficar mais livre e passou a frequentar a Lapa e a periferia do Rio, quando conheceu um mundo muito diferente do que habitava. Vinícius abriu os olhos para o que de fato afetou muito sua poesia. Tinha uma vida quase ambígua, de sobriedade de dia e de devaneios noturnos.

A busca pelo amor também é um fato marcante na vida e na obra de Vinícius. O artista casou-se nove vezes e morreu à procura o amor. Os depoimentos de seus amigos no documentário “Vinícius”, de Miguel Faria Jr., deixam claro que o poeta vivia no ápice da vida. Era necessário para Vinícius o arrebatamento. Por isso, a buscava incessante o amor e, devido a essa procura, o público foi presenteado com tanta poesia, música, sensibilidade e beleza.

Sobre o Letra em Cena

O projeto Letra em Cena. Como ler… é uma ação do Centro Cultural Minas Tênis Clube com o escritor, jornalista e curador José Eduardo Gonçalves, que tem como objetivo levar grandes clássicos da literatura nacional, de forma fácil e leve, para o grande público. Nos encontros, que em 2017 serão oito, há uma análise da obra feita por um especialista no autor contemplado e a leitura dos textos por um ator da cena mineira.

As inscrições para o Letra em cena. Como ler… Vinícius de Moraes, que será realizado no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube, devem ser feitas no site da Sympla.

Letra em cena. Como ler…Vinícius de Moraes – Palestrante Eucanaã Ferraz
Data: 6 de junho (terça-feira)
Horário:  19h
Classificação: livre

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