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26/05/17 | Centro Cultural

Portela canta Mangueira

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A sambista Teresa Cristina cantou, em única apresentação do Teatro Bradesco do Centro Cultural Minas Tênis Clube, o repertório do premiado show e disco “Teresa Cristina canta Cartola”. O público se emocionou e cantou as eternas canções do fundador de Mangueira. Confira as fotos aqui.

Dentre as 22 canções do show, apenas três não eram composições de Cartola. Teresa disse que escolheu este repertório, de Mangueira mesmo sendo portelense por entender que o samba e a música são maiores que qualquer rivalidade entre agremiações coirmãs.

Teresa se mostrou no palco uma interprete de mão cheia. Em algumas canções ela chamava atenção para o que a letra diz. Em “Senhora Tentação”, de Silas de Oliveira, a cantora disse: “Eu sempre ouvi essa música e achava que ela era uma dor de cotovelo daquelas. Pisciana que sou sempre sofro. Mas aí, quando comecei a ensaiar para este show, vi que é uma cantada maravilhosa. É assim: você vai para a roda de samba e vê o crush lá. Então, chega para o dono da roda e fala para ele ticar essa música dedicando para a paquera. É batata!”, disse arrancando risos da plateia. Para a canção “Tive sim”, de Cartola, Teresa chamou atenção para a crueldade da canção e pediu para o público fazer o exercício de colocar a letra da canção na boca de uma mulher da época em que foi escrita, final dos anos 1960.

A rivalidade das agremiações parece que só dói em Teresa quando canta “Sala de recepção”, canção de Cartola para o período em que abrigou em sua casa, em Mangueira, o fundador da Portela, Paulo Benjamim de Oliveira, o Paulo da Portela. “Esquisito eu, da Portela cantar essa música. Nenhum portelense canta essa canção. Mas isso é trabalho viu gente?!”, constatou.

Tersa Cristina canta Cartola é um show delicado, sofisticado e muito bonito. O violão de Carlinhos sete Cordas é um elogio à música bem tocada e apurada. Os arranjos do virtuose são tão intensos que Teresa afirma que dá vontade de não cantar e ficar só olhando Carlinhos tocar.

Nesta apresentação a frase de Nelson Sargento se faz totalmente verdadeira: “O samba agoniza, mas não morre”.

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