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24/11/17 | Centro Cultural

Samba engajado

A cantora e compositora Aline Calixto fez o primeiro show do repertório do seu mais recente trabalho, o disco Serpente, no Teatro Bradesco do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Com sonoridade inovadora em que há o som celeste da harpa, a cantora mostrou maturidade, competência, engajamento em causas importantes da sociedade e beleza. No palco, Aline estava acompanhada dos músicos Domenico Lancelotti na bateria eletrônica, Pedro Sá na guitarra e Cristina Braga na harpa, e teve como convidados Thiago Delegado, no violão de sete cordas e Raquel Coutinho no tambor. Confira as fotos aqui.

A serpente, réptil que tem má fama, surge no disco de Aline Calixto como um ser que tem a força de se recuperar das tristezas e provações e mudar de pele, de forma a fazer uma couraça mais forte. O disco mostra as dores de amores desastrados da vida da cantora, fala de relacionamentos abusivos e leva à reflexão sobre as questões de violência emocional sofrida pelas mulheres.

Aline envereda pelo lado compositora e também mostra seu estudo, realizado na França por três meses, de expressão corporal e teatro. Durante o show ela declamou um texto da cantora baiana radicada em Pernambuco, Karina Buhr, inspirado no disco Serpente. É importante ressaltar que além e Buhr, Serpente também tocou a filósofa e ativista feminina Márcia Tiburi. “ Toda canção surge além do som, no campo do silêncio onde se pode cantá-la. Hoje, ouvimos tão mal. Sujeitos de uma audição abandonada, vivemos uma relação tantas vezes banalizada com a música. Ouvir Aline Calixto é um cuidado na contramão dos hábitos adoecidos aos quais deixamos nossa sensibilidade musical. Para quem ama música, Aline Calixto está no campo da cura. Prazer maior é ouvi-la”, diz Tiburi.

O samba ainda está lá, mas não aquele rasgado, o ritmo que define a nação surge de um jeito mais contido. O músico Domenico Lancelotti criou de forma muito simples uma sonoridade em que o samba aparece mais sofisticado e trabalhado com o som inusitado da harpa de Cristina Braga. A guitarra de Pedro Sá, aquele da banda Cê de Caetano Veloso, marca bem o ritmo do samba.

A Serpente de Aline Calixto surge como um grito de liberdade e oferece a maçã que abre os olhos da mulher para a vida sem amarras. Como diz a letra, “nem santa, nem vilã. Sou gente”.

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