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17/10/19 | Centro Cultural

Sampa tem bossa – Terceiro encontro sobre Bossa Nova lembrou Nara Leão e a Bossa em SP

Daniella Zupo conversou, no terceiro encontro do Seminário Bossa Nova, com a cantora Claudette Soares e com o historiador, pesquisador da música brasileira e biografo de Nara Leão (1942 -1989) Daniel Saraiva. O programa de conversas sobre o gênero criado por João Gilberto compõe a programação do projeto – “Pacífico: Memória e Modernidade”, que celebra a trajetória do compositor Pacífico Mascarenhas. O último encontro será entre homenageado, Pacífico Mascarenhas, e o jornalista Jorge Fernando dos Santos, no dia 22, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (CCMTC). As inscrições podem ser feitas pelo site da Sympla, gratuitamente. Classificação: livre.

Claudette Soares lembrou que foi por uma dica de Ronaldo Bôscoli que foi para São Paulo. “Ele me disse que no Rio eu seria mais uma cantora de bossa, em São Paulo seria diferente. Eu seria a cantora de bossa. Eu tinha 24 anos e pensei muito antes de ir. Mas ele estava certo”, lembrou. A cantora afirmou sua predileção pelo gênero musical. “A bossa nova sempre foi meu ritmo preferido. Graças a Deus eu vivi esse movimento”, disse Claudette emocionada.

Em sua primeira palestra, afirmação que fez logo que começou o bate-papo, Claudette lembrou que nunca foi quietinha. “Se fossemos colocar agora, eu seria muito mais Anitta do que Sandy. Era da pá virada”, lembrou. A cantora gravou com grandes nomes da música nacional. “Fui a primeira, fora da Jovem Guarda, a gravar Roberto e Erasmo Carlos. Lancei Taiguara e também fui uma das primeiras a cantar Gonzaguinha. Tinha um preconceito com ele por causa do pai”, recordou.

Passando a palavra para Daniel Saraiva, iniciou a conversa sobre Nara Leão. Segundo o historiador, Nara foi uma figura muito influente. “Ela queria mapear a música brasileira e só gravava a canção que acreditava”, afirmou o biógrafo da cantora capixaba que rompeu com Bossa Nova e só foi fazer as pazes com o gênero em 1971, quando lançou o disco “Dez anos depois”. “Nara lançou Chico Buarque, trouxe Maria Bethânia e fez um show com Martinho da Vila quando ele ainda não era reconhecido”, contou Daniel. A verdade é que Nara começou a ouvir outro tipo de música, além da Bossa Nova, depois que se separou de Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994).

Uma característica muito importante de Nara Leão era a sua voz que opinava sobre tudo. “Nara foi uma formadora de opinião. Ela sempre esteve num ambiente com intelectuais. O seu cunhado era o jornalista, dono do jornal Última Hora, Samuel Wainer (1910- 1980)”, contou Daniel. Porém como cantora, Nara não era uma unanimidade. “João Gilberto dizia que Nara desafinava”, revelou o biógrafo.

Daniel disse que Nara não era a cara da Bossa Nova, ela conquistou este lugar. “A cara da bossa nova era a cantora Sylvinha Telles (1934 – 1966). Despois de sua morte, Nara recebeu este status”, esclareceu. O biógrafo deixou muito claro que Nara foi mais que uma cantora, ela foi uma voz que trouxe a música brasileira para um bom lugar. “Nara resgatou o samba de morro, gravou Jovem Guarda, frequentou o ZiCartola e mostrou para o país seu talento musical”, concluiu.

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