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08/03/18 | Centro Cultural

Secas letras

A primeira sessão do programa literário do Centro Cultural Minas Tênis Clube em 2018 contemplou as letras de Graciliano Ramos (1892- 1953). O escritor alagoano, cuja obra-prima é o romance “Vidas Secas”, foi analisado pelo doutor em literatura e professor da UFMG Wander Melo Miranda e teve a leitura do texto “Baleia”, feita por Odilon Esteves, ator da Cia. Luna Lunera. O próximo encontro será sobre Hilda Hilst, no dia 10 de abril, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. As inscrições gratuitas podem ser feitas no site da Sympla. Confira as fotos do evento aqui.

“É difícil encontrar um autor no qual todos os livros são obras-primas”, afirmou Wander Melo Miranda que também explicou que Graciliano Ramos foi mestre no uso das palavras. “Ele mantinha o exercício contínuo da palavra, com ética e cuidado no uso da língua”, disse. Durante a palestra, a fala do escritor Raduan Nassar sobre a escrita de Graciliano também foi lembrada. “Raduan disse que Graciliano trabalha como uma lavadeira, lava, passa sabão, coloca o anil, bate, bate a roupa na pedra, torce, torce, torce até que não caia nenhuma gota de água da roupa. Assim faz Graciliano com seu escrito, trabalha, trabalha, até não cair nenhuma gota”.

Wander Melo Miranda observa que na escrita do romance “Vidas Secas”, Graciliano Ramos mostra compaixão e destreza na escrita. “Ele mostra a distância entre o escritor e o retirante analfabeto e se coloca junto ao deserdado da terra”, explica. Na época de sua publicação, 1938, o romance teve grande repercussão política devido ao tema que é muito comentado, mas ainda não havia sido tratado de forma tão real e intensa. Sensível às questões sociais e flagelos da humanidade, uma vez, após visita a Portinari que na ocasião estava pintando a tela “Os Retirantes”, Graciliano indagou ao amigo se seria possível fazer arte em um mundo perfeito.  “Dos quadros que você mostrou quando almocei no Cosme Velho pela última vez, o que mais me comoveu foi aquela mãe com a criança morta. Saí de sua casa com um pensamento horrível: numa sociedade sem classes e sem miséria seria possível fazer-se aquilo? Numa vida tranquila e feliz que espécie de arte surgiria? Chego a pensar que faríamos cromos, anjinhos cor de rosa, e isto me horroriza”, escreveu o romancista.

Sobre a forma de ler Graciliano, Wander destacou que Otto Lara Resende, jornalista e escritor mineiro disse que o romancista alagoano não é um escritor “domável”. Ou seja, a leitura de textos de Graciliano não é fácil nem agradável porque ele fere o leitor, abre seus olhos para o mundo e para suas mazelas e belezas. O palestrante conclui que o texto de Graciliano deve ser lido “como um testemunho histórico que vai muito além de sua época, como uma extraordinária conquista literária, da qual somos parceiros enquanto leitores”.

Sobre o Letra em Cena. Como ler…

Com curadoria do jornalista e escritor José Eduardo Gonçalves, desde sua primeira temporada, em 2016, o “Letra em Cena. Como ler…”, programa literário do Centro Cultural Minas Tênis Clube, apresenta para ao público grandes clássicos da literatura nacional de forma não acadêmica. Nas três primeiras temporadas foram analisados nome como Mário de Andrade por José Miguel Wisnick, Guimarães Rosa por Antônio Sérgio Bueno, Machado de Assis por Silviano Santiago, Ana Cristina César por Ítalo Moriconi, João Cabral de Melo Neto por Antônio Carlos Secchin, Clarice Lispector por Nádia Battella Gotlib, entre outros que levaram mais de cinco mil pessoas ao Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Em 2018 serão oito encontros com clássicos da literatura brasileira que contemplarão nomes como Hilda Hilst, Jorge Amado, Afonso Ávila, Manoel Bandeira, Rubem Braga, Cecília Meireles e Manoel Bandeira.

Serviço:

Letra em cena. Como ler Hilda Hilst.
Palestrante: professora Eliane Robert de Moraes

Data: 10 de abril (quinta-feira).
Horário: 19h.
Local: Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia, 2.244. Lourdes).
Inscrições gratuitas: Sympla
Classificação: livre.

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