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03/05/17 | Centro Cultural

Severina vida

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“É uma cova grande pra tua carne pouca/Mas a terra dada não se abre a boca”. Forte, triste e marcante são os versos que João Cabral de Melo Neto escreveu na década de 1950 e, até hoje, retratam a realidade de uma boa parte da população brasileira. Há vários Severinos no Brasil e o poeta, ensaísta e crítico literário brasileiro Antônio Carlos Secchin apresentará sua leitura e análise da obra-prima de Melo Neto no dia 9 de maio, terça-feira, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. As inscrições podem ser feitas, de graça, no site da Sympla.

O texto “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto é um poema dramático engajado. “Considero “texto social”, porque “político” é termo de conotação partidária. João Cabral considerava que não era necessário fazer denúncia da realidade: bastava apresentá-la, que a denúncia já se faria por si mesma, na simples exposição do real”, explica Secchin.  João Cabral mostra na poesia redonda de Severino que a vida em certas regiões do Nordeste é tratada como algo em segundo plano. “Ele diz que a vida no Nordeste é subvalorizada, mas que essa condição pode ser superada pelo trabalho e pela solidariedade”, diz.

O poema de Melo Neto foi transformado em desenho animado, cinema, série e teatro. Em 11 de setembro de 1965 a peça “Morte e Vida Severina”, montagem do Teatro da Universidade Católica de São Paulo, Tuca, fez sua estreia. Na época, o poeta que não gostava muito de música, não autorizou a encenação que foi feita, a parte musical, à revelia do autor. Porém a repercussão da cena foi muito positiva e a peça foi premiada do 4º Festival Universitário em Nancy, na França. “Cabral, apesar de não gostar de música, aceitou bem as canções”, afirma Secchin. Mesmo não gostando de música, fama notória de João Cabral de Melo Neto, o autor afirmava que “Morte e Vida Severina” é um texto fácil e para ser ouvido mais que lido. Os regionalismos da poesia são algo a se destacar, até Chico Buarque, quando fez a canção tentou fazer com que fosse cantada com o acento nordestino em determinadas palavras. “O poeta considerava o texto ‘fácil’, a ponto de dizer que nem precisava ser ‘lido’, apenas ‘ouvido’– tanto que é peça teatral. Todavia, alguns termos regionais (pernambucanos) podem atrapalhar um pouco a compreensão imediata”, explica Secchin.

Apesar de mostrar as mazelas do extremo nordeste brasileiro o texto, que em sua maior parte fala de morte, termina de forma otimista, com a força da vida. “O enorme sucesso do poema demonstra que sua mensagem de lúcida esperança no trabalho humano ultrapassa a realidade regional e histórica que ele descreve”, afirma.

O poeta, ensaísta e crítico literário brasileiro Antônio Carlos Secchin é membro da Academia Brasileira de Letras, doutor em letras e professor titular de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1993. Secchin venceu vários prêmios de literatura e é responsável pelas antologias de João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles (edição do centenário), Mário Pederneiras, dentre outros. Segundo João Cabral de Melo Neto, Antônio Carlos Secchin “foi quem melhor analisou os desdobramentos daquilo que pude realizar como poeta”, disse o escritor em entrevista concedida ao crítico literário e ensaísta, Ricardo Vieira Lima, em 1991.

Sobre o Letra em Cena

O projeto Letra em Cena. Como ler… é uma ação do Centro Cultural Minas Tênis Clube com o escritor, jornalista e curador José Eduardo Gonçalves, que tem como objetivo levar grandes clássicos da literatura nacional, de forma fácil e leve, para o grande público. Nos encontros, que em 2017 serão oito, há uma análise da obra feita por um especialista no autor contemplado e a leitura dos textos por um ator da cena mineira.

Letra em cena. Como ler… João Cabral de Melo Neto – Palestrante Antônio Carlos Secchin

Data: 9 de maio
Horário:  Terça-feira , às 19h
Classificação: livre

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